Reunião de equipe do terceiro setor em círculo com linhas conectando as pessoas

Ao atuarmos com organizações do terceiro setor, sentimos, na prática, como os desafios de gestão, equipes e relações humanas vão além do aspecto técnico. O ambiente é permeado por múltiplas conexões afetivas, histórias pessoais e coletivas, além de propósitos sociais profundos. Por isso, a constelação sistêmica organizacional tem despertado interesse como abordagem para identificar bloqueios, resolver conflitos e fortalecer a missão dessas organizações.

O que é constelação sistêmica nas organizações?

A constelação sistêmica organizacional é uma metodologia de intervenção que revela e ressignifica padrões ocultos nos grupos e nos sistemas de trabalho. Inspirada nos princípios da abordagem sistêmica, essa metodologia considera que cada integrante, ação ou decisão está inserida em um campo maior de relações e influências, geralmente invisíveis à análise tradicional.

Ao olharmos para uma organização como um sistema vivo, percebemos que emoções coletivas, heranças emocionais e dinâmicas inconscientes influenciam desde os resultados até o clima organizacional. A constelação permite dar visibilidade a essas questões, facilitando soluções mais profundas e duradouras.

Por que aplicar constelação sistêmica no terceiro setor?

O terceiro setor atua com propósitos sociais, culturais e ambientais. Nesse ambiente, os vínculos emocionais entre colaboradores, voluntários, gestores e beneficiários são intensos e, muitas vezes, complexos. Frequentemente, surgem conflitos, dúvidas, sobrecarga, desmotivação ou dificuldades de tomada de decisão, que não se resolvem apenas com treinamentos técnicos.

Em nossa experiência, notamos alguns fatores comuns que limitam o avanço das organizações do terceiro setor:

  • Conflitos internos não verbalizados entre equipes e lideranças.
  • Sensação de injustiça ou desigualdade no reconhecimento do trabalho.
  • Repetição de padrões de fracasso em projetos, captação de recursos ou comunicação.
  • Dificuldades para lidar com ciclos de mudança ou sucessão de lideranças.

A constelação sistêmica se apresenta como uma porta para enxergar o que está por trás desses sintomas e construir caminhos mais íntegros de convivência e resultados.

Como funciona a constelação sistêmica organizacional?

O processo pode ser realizado em grupos ou individualmente, dependendo da questão que se deseja abordar e da estrutura da organização. O facilitador conduz a sessão, convidando pessoas a representar elementos do sistema: podem ser membros da equipe, setores, valores, missão, recursos ou até mesmo sentimentos presentes no grupo.

Pessoas reunidas em círculo em uma sala, representando papéis de uma organização do terceiro setor numa dinâmica

Cada representante compartilha sensações físicas, impressões ou emoções ao ocupar aquela posição. O campo morfogenético do grupo começa a revelar conflitos, alianças, exclusões ou padrões repetidos. É surpreendente como esse movimento gera insights sobre situações que pareciam sem solução.

Durante a sessão, buscamos intervenções simples – deslocar alguém na sala, inserir novos elementos, dialogar com exclusões. O objetivo não é julgar, mas acolher a realidade como ela é, favorecendo a integração e a restauração do equilíbrio no sistema.

Resultados que costumam surgir

Após uma constelação, observamos nas organizações efeitos que vão além do esperado. São pequenas mudanças de comportamento, decisões mais alinhadas à missão, clareza nos papéis, superação de impasses ou até mesmo sensação geral de leveza nas relações. Algumas organizações relatam uma nova abertura ao diálogo, redução de conflitos e reengajamento em projetos importantes.

Quando nos permitimos olhar para além do óbvio, abrimos espaço para soluções criativas que respeitam a história da organização e fortalecem sua cultura.

Como implantar a constelação sistêmica no terceiro setor?

A introdução dessa metodologia começa pelo desejo da liderança em compreender as dinâmicas ocultas e promover um ambiente mais saudável. Não existe receita pronta, mas sugerimos um roteiro prático para quem quer se beneficiar dessa abordagem:

  1. Promover sensibilização: Faça pequenas rodas de conversa para apresentar o que é constelação sistêmica, esclarecendo dúvidas e desmistificando eventuais resistências.
  2. Identificar uma questão relevante: Escolha um tema concreto, vivido no presente e que faça sentido para parte do grupo. Evite começar com questões óbvias, prefira situações em que opiniões divergem ou decisões estão paralisadas.
  3. Contratar um facilitador qualificado: Opte por quem possua experiência tanto com constelação quanto com realidades do terceiro setor. A condução ética e sensível é fundamental para segurança psicoemocional do grupo.
  4. Preparar o ambiente: Se possível, escolha um espaço reservado, silencioso e confortável, que favoreça o acolhimento e a espontaneidade.
  5. Integrar os aprendizados: Ao final, registre as percepções coletivas e incentive reflexões, sem obrigar ninguém a compartilhar além do que desejar. O respeito aos limites de cada um facilita a transformação organizacional.

Cuidados necessários ao aplicar constelação

Por se tratar de uma abordagem subjetiva, alertamos para a necessidade de escuta ativa, confidencialidade e respeito à privacidade dos participantes. A constelação não substitui processos jurídicos ou éticos já estabelecidos na organização, nem pretende resolver tudo em um único encontro.

É natural que parte do grupo estranhe ou resista à metodologia num primeiro momento – sugerimos não forçar participação, mas criar condições para escolhas livres, sempre levando em conta os objetivos da organização.

Equipe diversa de colaboradores do terceiro setor em reunião de trabalho colaborativa, sorrisos e interação

Outro ponto importante é cuidar das expectativas: a constelação não é uma solução mágica, mas um processo que oferece nova perspectiva aos desafios. Os benefícios surgem pela abertura ao novo, à escuta e ao acolhimento das diferentes histórias do grupo.

Quando faz sentido buscar essa abordagem?

Em nossa vivência, indicamos a constelação sistêmica sempre que:

  • As tentativas anteriores de solução de conflitos fracassaram.
  • A equipe sente que “algo está travado”, mas não sabe explicar o que é.
  • Projetos se repetem sem alcançar o resultado desejado, apesar do esforço coletivo.
  • Há sentimento de injustiça, exclusão ou perda de propósito institucional.

Essas situações são convites a olhar para o sistema de forma mais ampla, reconhecendo que emoções, crenças e vínculos não se resolvem apenas com lógica. Nem sempre a resposta é direta, mas quase sempre é transformadora para quem participa.

Como aumentar o impacto da constelação sistêmica?

Após as sessões, vemos que o impacto ganha corpo quando a aprendizagem é compartilhada e posta em ação. Para isso, sugerimos:

  • Reservar momentos de diálogo aberto para colher percepções do grupo.
  • Desdobrar os aprendizados em mudanças práticas, como ajustes em processos, papéis e rotinas.
  • Revisar regularmente se as novas dinâmicas estão promovendo mais alinhamento e bem-estar.

O segredo está na continuidade e no cuidado com as relações, mais do que em respostas rápidas. Isso constrói um ambiente vivo, autêntico e resiliente, que faz a diferença no propósito social das organizações do terceiro setor.

Conclusão

Ao trazer a constelação sistêmica para o terceiro setor, reconhecemos que pessoas, propósitos e histórias estão entrelaçados de maneiras profundas. Quando acolhemos esses vínculos, novas possibilidades surgem. Nossa experiência mostra que a constelação não oferece receitas prontas, mas caminhos para decisões mais conscientes e convivências mais saudáveis.

Mudanças verdadeiras começam ao olhar para onde antes ninguém olhou.

Quando uma organização se permite esse olhar, fortalece sua cultura, aprimora relações e multiplica seu impacto social. Assim, o terceiro setor amplia seu potencial transformador para além de metas, chegando ao núcleo das relações humanas.

Perguntas frequentes sobre constelação sistêmica nas organizações

O que é constelação sistêmica organizacional?

Constelação sistêmica organizacional é uma metodologia que revela e ressignifica dinâmicas ocultas nos grupos de trabalho, permitindo compreender padrões emocionais e relacionais que influenciam resultados e clima organizacional. Ela utiliza representantes para dar visibilidade a fatores invisíveis e promover soluções mais integrais.

Como funciona a constelação no terceiro setor?

No terceiro setor, a constelação sistêmica pode ser aplicada em encontros de equipe, grupos de lideranças ou até de modo individual, para tratar situações desafiadoras, conflitos ou padrões repetidos que travam o avanço da instituição. O processo envolve representantes assumindo papéis simbólicos e compartilhando suas percepções, conduzidos por um facilitador experiente.

Quais os benefícios da constelação sistêmica?

Entre os benefícios mais citados estão a melhora no diálogo interno, clareza nos papéis de cada um, superação de conflitos antigos e fortalecimento do propósito institucional. Além disso, as equipes costumam se sentir mais motivadas e acolhidas no cotidiano.

Onde encontrar facilitadores de constelação sistêmica?

Facilitadores podem ser localizados por indicação de profissionais de desenvolvimento humano, redes de formação em constelação organizacional ou por meio de assessorias empenhadas em práticas sistêmicas. O ideal é buscar quem tenha experiência comprovada com ambientes do terceiro setor.

Para quem é indicada a constelação nas organizações?

A abordagem é indicada para equipes de qualquer porte, lideranças, conselhos ou colaboradores que enfrentam bloqueios relacionais, transições difíceis ou procuram fortalecer a missão coletiva. Pode ser usada tanto em momentos críticos quanto em processos de crescimento e renovação institucional.

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Equipe Coaching na Prática

Sobre o Autor

Equipe Coaching na Prática

O autor deste blog dedica-se ao estudo e à prática do impacto das emoções no coletivo, explorando como padrões emocionais individuais influenciam a sociedade. Com profundo interesse em educação emocional, integração social e ética, empenha-se em disseminar a Consciência Marquesiana e suas Cinco Ciências como pilares para transformar crises sociais em oportunidades de amadurecimento coletivo, promovendo uma convivência mais saudável e ética.

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